30 Maio 2008

Será o regresso do pródigo?

Pelo que têm dito algures por esses caminhos cybernéticos (ou cibernéticos) já estamos em Junho… Ainda não é bem, mas já falta pouco. Este pouco é ainda o suficiente para levar o carro à inspecção (como já típico de mim, sempre nos últimos momentos possíveis). Mas não falemos de coisas tristes.

Estive ausente algum tempo, ainda não fiz contas e provavelmente não farei, porque decorar datas e recordar o passado são actividades que não tenho muito o hábito de fazer.
Andei aqui à procura, no meio dos meus gatafunhos intelectuais e encontrei algo que escrevi à cerca de 2 ou 3 meses, mas ainda actualizadíssimo.
Mas antes deixo uma musiquinha (só mesmo a música, ignorem o vídeo) dedicada a quem me chama egoísta e egocêntrico.
Ora aqui vai (a musiquinha e o gatafunho):

The Strokes – Razorblade


Estava eu há uns dias a curtir a noite académica, quando dei por mim no meio de miudagem (talvez 17 – 20 anos) a curtir estilos tão diversos como o brasileiro do calhambeque, um bikini às bolinhas amarelas duma senhora que agora não me lembro e “Eu vi um sapo” – que também não sei de quem é nem tenho curiosidade. Esta última ainda dá para perceber +/-, afinal tem andado por aí a rodar num spot publicitário.

Já aqui contei, que há uns tempos estive num “Irish pub” – note-se um certo tom de sarcasmo – que mais parecia um bar disco, agora estive numa discoteca que mais parecia um jardim-escola!
Lembro-me quando era mais novo – apenas ligeiramente mais novo, porque afinal não sou assim tão velho – mesmo quando cometia aqueles actos irresponsáveis que como é obvio, agora não interessam discutir – não achava piada a passar a noite – paga – a ouvir entre os hits já descritos, José Correia Marques com o seu carocha do amor puxado por um burrito.

Já só falta começarem a servir shots de leite morninho acompanhados por bolachinhas para animar a malta!

P.S.: Obrigada pela dica do mel e do Toblerone sem amêndoas.
(só para pessoas com muita imaginação)

31 Março 2008

Amêndoas e ovos do chocolate…

Como já é hábito, quando comento os acontecimentos sociais, como a Páscoa, faço-o normalmente com um certo desfasamento, com o meu jet lag que me é tão característico, provavelmente fruto duma filosofia em que chegar atrasado é sinónimo de chegar com estilo – ou será ao contrario?
Mas desta vez, tal como da última, o meu atraso deve-se a motivos que me são alheios, continuo desligado do mundo (quero eu dizer que não tenho serviço de Internet), o que é lamentável.

Mas indo de encontro com a (des)actualidade, há uns dias houve um daqueles feriados muito comemorados, a Páscoa! E sempre por estes dias que me surge uma das minhas muitas dúvidas quase existenciais. Bem procuro e investigo, mas sempre sem resultados evidentes: qual a relação entre o coelho da Páscoa e os ovos de Páscoa?
Que os coelhos são uma espécie, digamos, enérgica, não é novidade para ninguém, mas daí até se meterem com as galinhas…
E os ovos! De chocolate! No início deste ano, aluguei umas galinhas, e andei a alimenta-las apenas com chocolate, mas até agora, apenas ovos daqueles normais! Será que escolhi mal o chocolate, ou têm de ser galinhas helvéticas? Afinal de contas para aqueles lados, até há vacas chocolateiras (aquelas brancas e lilases, que tanto se vêm na televisão)

19 Março 2008

Pedacinhos de nós

Estes últimos dias, sem Internet, a minha porta de ligação, e passo um pleonasmo, ao mundo mundial, puseram-me a reflectir, ou se quiserem a matutar na comunicação que tenho e na que tinha.

Com tantos meios de comunicação que existem actualmente, telemóveis, e-mails, sms, messengers e até blogs como este, seria de esperar que estivéssemos todos nessa tão aclamada aldeia global, todos em contacto constante, mais próximos uns dos outros… mas não estamos, sinto que quanto mais esta vertente do progresso evoluiu, mais sozinhos no meio da multidão estamos.
Frases como “Dá-me um toque quando chegares.” ou “dou-te um toque quando chegar.”, mensagens a dizer “já cheguei, estou à tua porta” passaram a integrar o quotidiano quase na sua essência. O toque táctil, felizmente apenas em parte, foi substituído pelo toque do telemóvel, a campaínha da porta pela mensagem também do telemóvel, as cartas e os postais de felicitações, que se guardavam no álbum de fotografias ou naquele livro com uma dedicatória tão especial, também foram trocados por levianas mensagens de telemóvel que recebemos e reenviamos. Até a conversa no banco de jardim, com o chilrear dos pássaros, o cheio a lírios e a tília e com aquela agradável brisa a anunciar a primavera, ou num café, junto à janela numa quietude tão especial no meio do pulsar da cidade, foi substituída pela conversa nos instant messengers ou ainda nos irc’s onde as emoções não passam de conjuntos de caracteres que se transformam em figurinhas normalmente amarelas.
Foi esta falsa sensação de proximidade que estragou a minha última conexão, ou pelo menos assim acredito, e por favor, corrige-me se estou errado…

Estas novas tecnologias são todas muitos úteis e não contesto a sua necessidade à pressão frívola da sociedade actual, mas sinto que de alguma forma deterioraram as nossas conexões, - talvez não tenham deteriorado, depende do ponto de viste, mas que as modificaram acho que ninguém discorda. Na nossa aldeia de há uns anos, todos se conheciam e todos falavam - bem ou mal -, existia a simbiose da chávena de açúcar, actualmente, na nossa dita aldeia global, estamos muitas vezes sozinhos no meio duma multidão sem nos apercebermos.

Mas afinal que percebo eu disto? Como já me disseram algumas vezes, devo estar a viver na época errada. Gosto de velhos hábitos, dos carros que já foram construídos, até a música que ouço neste preciso momento, é bem mais velha que eu…

03 Março 2008

Rabiscos metafóricos

Metaforicamente rabiscando, anda um clima de traição, fragilidade e adultério no ar que até assusta! Após as recentes dissertações sobre esse tão comemorado dia, o das namoradas e namorados, mais umas conversas e passagens interpessoais e ainda uma última reflexão, também metaforicamente rabiscada, de uma amiga cuja conclusão é: “[…] não há nada como fortalecer bem o nosso "subterrâneo" e a essência das nossas conexões”… a questão que coloco: será que vale mesmo a pena fundamentar relações?

Enquanto se fundamentam os alicerces da essência das nossas conexões, há tempo e investimento que poderiam ser usados no usufruto do que é palpável (ou apalpável, fica ao vosso gosto)…
Blá blá blá blá, atalhando, vou passar já às conclusões, porque hoje não estou bem disposto: quando se investe nas fundações, criam-se bases para o resto ser sólido e duradouro, mas se o investimento for demasiado grande, pode acontecer uma escassez prematura de recursos sem nunca se chegar ao que realmente interessa. Em contra partida, quando não se investe em bases sólidas, obtém-se um usufruto mais rápido e dinâmico, mas esta dinâmica tem de ser constantemente controlada para evitar interferências graves dos harmónicos de 5ª e 7ª ordem.

Em qualquer situação, há sempre riscos, uns mais previsíveis que outros, há sempre factores externos que nem o mais experiente técnico consegue controlar. Teoria do caos, lei de Murphy ou até destino… chamem o que quiserem.

Mas que percebo eu disto? Afinal de contas a minha mais longa relação tem sido com a faculdade, e mesmo essa já foi trocada uma vez. Só dura devido à minha inercial preguiça, é provavelmente a única relação cuja simbiose é proporcional ao desinteresse da parte activa.

19 Fevereiro 2008

Finalmente, o S. Valentim

Depois de alguns dias, acho que finalmente tenho condições para tentar responder à pergunta que me tem perseguido:
- Afinal de contas, o que é o dia de S. Valentim?

Basicamente é um dia de homenagem à morte de um tal de Valentine, um bispo italiano que morreu decapitado a 14 de Fevereiro de 270 d. C., tudo porque o senhor desrespeitou o chefe lá da terra, um tal de imperador Claudius II. Parece que este último proibiu os casamentos, só para poder constituir um exército poderoso – deve ser algo semelhante à política do Scolari não deixar os seus minínos dormir com as minínas nas vésperas dos jogos.
Voltando então ao Valentine, e para acabar: os casamentos eram proibidos, mas tal fruto proibido gerou alguma especulação no mercado negro, então o Valentine, com olho fisgado nuns trocos fáceis, meteu-se no tráfico de casamentos, só que foi descoberto e consequentemente preso. Mas a história não acaba aqui, parece que enquanto esteve à espera de julgamento, apaixonou-se por uma jovem e foi aí que perdeu a cabeça – foi um trocadinho algo parvo, mas até teve a sua piada.

Parece-me então que o dia se S. Valentim, ou dia dos namorados - e alguém que se manifeste se a minha interpretação é errada - é um dia de celebração a um bispo que traiu o seu casamento com a igreja pelos prazeres da carne, sendo posteriormente decapitado… e note-se “traiu”.

São fantásticos todos os símbolos e rituais associados a esta festividade, os restaurantes enchem nesta noite, as rosas vermelhas esgotam, e o passeio ali em Leça junto ao farol também esgota, parece que vão todos ver o luar. Mas nada disto é estranho, e diga-se, até são rituais saudáveis (uns mais que outros, mas não vou seguir por aí agora), algo que impressiona é todo festejo em torno das alianças de comprometidos, há quem as compre; há quem as compre e as mande gravar e ainda, durante o processo, as tente devolver; há também, e este acho muito, mas mesmo muito estranho, as coleccione!

Coleccionar alianças de comprometidos foi algo que tive conhecimento há pouco tempo, e foi um choque, mas desde que vi um porco a andar de mota, acredito em tudo.

Em suma, no dia de S. Valentim, festeja-se a decapitação dum membro do clero que andou metido nos prazeres carnais, gasta-se dinheiro em flores, restaurantes, bombons em forma de coração, ursinhos de peluche com um coração a dizer “I love you”, almofadinhas vermelhas em veludo com a forma de um coração a dizer “I love you, very much” (se bem que estas almofadas até ficam bem no banco de trás), relógios com a forma de um coração a dizer ”I love you, very much, my love”, e postais com a forma de um coração a dizer “You are my Valentine”, e tudo isto para quê? Para, depois do restaurante, poderem tentar os prazeres carnais e posteriormente arriscar o pescoço pelo casamento e sentir que vale a pena!

17 Fevereiro 2008

Cartas de amor, mas então...

Finalmente, cá estou eu mais uma vez, depois de todas as frequências, e depois desse dia tão tradicional na nossa cultura que é o dia de S. Valentim.
Fui literalmente inundado por uma reclamação ao último post (acho que ando a ver demasiada TVI, daí a verbosidade estúpida). Parece que feri susceptibilidades quando escrevi apenas os dois primeiros versos do poema de Fernando Pessoa. Pois bem, numa tentativa de mostrar que até não sou assim tão ignorante, aqui está ele, o poema completo:

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos, 21/10/1935


- Dizem que Internet é o conhecimento na ponta dos dedos, e ora aqui está, depois de uns segundos de pesquisa no Google.

Surgem agora dois temas pertinentes, as cartas de amor, e o S. Valentim… Sobre o último, acho que consigo resumir a uma simples palavrinha: piroso! (tal como outros tradicionalismos comercialistas pseudo importados)
Agora sobre as cartas de amor… quem nunca escreveu cartas de amor? Nem que seja um simples postalzinho de S. Valentim? Eu já, e para ser ainda mais ridículo, faço uma revelação bombástica, “a” carta era um poema, mas como se isto não fosse suficiente, “o” poema era um soneto!
Para quem não sabe o que é um soneto, se procurarem na Enciclopédia Universal da Literatura Portuguesa, encontrarão “O soneto compõe-se de quatro estrofes (duas quadras e dois tercetos); característica do soneto clássico é a importância do último verso, que deverá encerrar um pensamento nobre, rematando os versos anteriores.”
Agora que releio o que em tempos escrevi – e diga-se que já lá vai algum tempo – percebo porque nunca dei grandes asas à minha costela de poeta…


Cartas de amor são ridículas, e não seriam cartas de amor se assim não fossem.

14 Fevereiro 2008

Cartas de amor

Dia de S. Valentim, ou dia dos namorados… como der mais jeito… Hoje é provavelmente, o dia mais ridículo do ano, logo a seguir ao Halloween, como é obvio!

Deixo para outro dia, as minhas dissertações um nadinha parvas, porque amanha é dia de frequência!



“Todas as cartas de amor são Ridículas.”
Fernando Pessoa